CONCRETO ARMADO: FUNCIONAMENTO E CARACTERIZAÇÃO

história do cimento

 Desde tempos imemoráveis, o concreto tem sido utilizado como elemento de construção: 

uma substância simples composta de água, areia, brita e cimento que se tornou o bloco construtor da civilização, um material amplamente utilizado na construção civil.

 Com o advento do mundo moderno, o desenvolvimento deste material vem permitindo novos avanços na área, com edificações cada vez mais arrojadas e duráveis. Sua procedência remonta o tempo pré-histórico, quando o homem abandonou a caverna e foi em busca de novas formas de abrigo. Sendo assim, passou a utilizar estruturas de pedras e, para preencher seus espaços, usava lama e argila, conseguindo assim proteção do vento e do frio. 

Surgiu nesta época a ideia de usar agregados com substâncias mais resistentes de forma a conseguir maior dureza á mistura. Alguns pesquisadores acreditam que a mistura cimentícea já teria sido notada pelo homem pré-histórico, quando o mesmo percebeu que as pedras próximas às fogueiras soltavam um pó que endurecia com a ação do sereno (SOUSA, 2014). No antigo Egito, os egípcios utilizavam um tipo de cimento feito com calcário e gipsita para obter blocos pequenos e usá-los nos monumentos (uma das mais antigas evidências de uso do cimento aparece nas pirâmides do Antigo Egito). Posteriormente, os gregos aperfeiçoaram o método egípcio, aplicando o emprego de terras vulcânicas que também endureciam quando misturadas à água.

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 Aproveitando as técnicas utilizadas pelos gregos, os romanos, com pretexto de construir os monumentos hoje mundialmente conhecidos como Coliseu e o Panteão, conseguiram desenvolver o chamado ‘concreto romano’, uma mistura de areia, cinzas vulcânicas (pozzolana), calcário calcinado e pedaços de telha. Essa mistura com a pozzolana foi o ingrediente chave, altamente inovador, do concreto romano, pois eles conseguiram o feito de encontrar um material que, misturado com outros componentes, se mantinha duro até sob a água. 

Entretanto, a fórmula do cimento romano era um segredo tão importante que acabou sumindo com a própria desarticulação do império. Segundo documentário do History Channel (MEMÓRIAS..., 2015), na idade média, os arquitetos passaram a utilizar pedras no lugar do concreto, principalmente na construção de castelos; sendo somente no século XVIII que esse importante material voltou ao cenário construtivo, ganhando novas características. Em 1758, o químico John Smeaton foi escalado para reconstruir o farol de Eddystone, na Inglaterra, que havia passado por grande deterioração devido às ações corrosivas da água do mar e necessitava de uma urgente restauração.

 Nisso, ele fabricou um cimento excelente composto por minérios de calcário e argila, no qual ele experimentou cozer, chegando a uma argamassa que deu liga as pedras e funcionou sob a água. Este novo material foi chamado de “calcário hidráulico” e foi o responsável pela estrutura do farol ter se mantido estável por mais de um século. Somente em 1824, o inglês John Aspdin, resolveu queimar a mistura de calcário e argila, processo semelhante ao de Smeaton, até obter pedaços grandes que foram moídos e reduzidos a pó. 

Esse pó misturado com água e areia formava uma forte argamassa que se endurecia na água, dando origem ao famoso ‘Cimento Portland’.


 Ao longo do tempo, novas misturas e o aprimoramento dos fornos determinaram obtenção de novos tipos de cimento. Na década de 1950, o cimento Portland já era utilizado praticamente em toda Europa, e foi a partir desse momento que os engenheiros passaram a inovar e trabalhar novos materiais juntamente a ele, como vidros, aço, borracha e cerâmica; e foi na Europa que ocorreu uma definitiva mudança no conceito da construção civil: o concreto armado (MEMÓRIAS..., 2015).

 A descoberta do concreto armado aconteceu de uma maneira bastante peculiar. Em 1949, um agricultor francês, que morava em uma fazenda no interior de seu país, resolveu um dia criar um barco, utilizando cimento e ferro para testar em um de seus tanques, registrando sua patente em 1955. Sua criação não teve grande sucesso, porém chamou atenção de outro francês, Joseph Monier. Monier trabalhava na construção de vasos artesanais, usando madeira e cerâmica, porém esses materiais não eram resistentes, apodrecendo ou quebrando com frequência. Então, ao saber da descoberta do agricultor, ele passou a utilizar o concreto armado em seus vasos, e em outras estruturas artesanais, e viu que estava obtendo o resultado desejado. 

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Patenteou, então, várias destas estruturas. Entre suas criações, Monier construiu a primeira ponte de concreto armado em 1875, no castelo Chazelet, que existe até hoje. Em 1886, o engenheiro alemão Gustav Adolf Wayss (1851-1917) comprou as patentes de Monier para desenvolvê-las, e durante 20 anos sua empresa de construção trabalhou para tentar eliminar as dúvidas que ainda existiam sobre o concreto armado.

 Hoje é um material amplamente utilizado por apresentar duas características básicas de um bom material: resistência e durabilidade. Combina as qualidades da pedra (brita) – resistência à compressão e durabilidade –, com as do aço – resistência mecânica –, com as vantagens de poder assumir qualquer forma, com facilidade e rapidez. É ainda é o melhor, mais durável e sustentável material estrutural da atualidade, segundo a Declaração Ambiental de Produto (EPD), (introduzida na ISSO 14025:2010). Apresenta, porém, algumas desvantagens se sua fabricação e sua montagem não forem bem realizadas; e com a ação do tempo sobre a mesma. Um destes problemas é a corrosão das armaduras de seu interior.


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