Análise Estrutural


De um modo geral, as estruturas das construções são excessivamente complexas para possibilitarem um tratamento numérico global. O projeto estrutural é impraticável sem a introdução de simplificações.

 Atualmente, com o desenvolvimento cada vez mais significativo dos recurso computacionais e a implementação de métodos numéricos mais poderosos, tem-se conseguido analisar a estrutura cada vez mais próxima da realidade. Pórticos espaciais e a geração de malhas por elementos finitos já é uma prática de projeto. Contudo, a introdução de simplificações ainda é um fato a perdurar por um bom tempo. Essas simplificações são de diversas naturezas e de caráter mais ou menos arbitrário, mas, com elas, o problema real, usualmente de complexidade extrema, pode ser reduzido a um conjunto de subproblemas passíveis de solução adequada.

 A primeira delas já está contida na própria definição de estrutura, a distinção entre partes resistentes e partes não resistentes da construção. Isto é feito arbitrariamente. Uma alvenaria de um edifício, por exemplo, contribui para a resistência e para a estabilidade de uma construção?

 O grau de dificuldade do projeto é proporcional ao aumento do tamanho da construção. Assim, para que o problema seja simplificado, e o tratamento numérico dispensado seja exequível, é preciso decompor a construção em partes, que possam se consideradas isoladamente. Essa decomposição pode ser real ou virtual. A decomposição real é obtida por meio de juntas de separação. 

 Essas juntas, além de simplificarem o problema - subdividindo a construção original em um conjunto de construções contíguas -, ajudam a diminuir a intensidade dos esforços decorrentes das deformações impostas à estrutura. Particularmente, atenuam os efeitos das variações de temperatura (daí o nome junta de dilatação).

 Quando a construção, embora monolítica, pode ser admitida como subdividida em partes suficientemente simples para que cada uma delas possa ser tratada separadamente, e associada a um dos modelos estruturais estudados na Teoria das Estruturas (pórtico, grelha, viga, casca, placa, etc.), tem-se uma decomposição virtual.

 A decomposição virtual que maior interesse apresenta é aquela na qual as diversas partes resultantes se apóiam uma sobre as outras, estando apenas uma delas apoiada no meio externo.

Em geral, a estrutura global é subdividida em famílias de elementos planos. Essa simplificação de tratamento da estrutura é denominado de análise estrutural.

 Deve-se ressaltar que o projetista de estruturas terá, sempre, limitações quanto às simplificações a serem adotadas, pois ele não poderá ignorar o comportamento real da estrutura como um todo.

A análise estrutural será tanto mais eficaz quanto mais os resultados do tratamento numérico simplificado aproximarem-se dos valores reais esperados.  

A adequacidade dos elementos estruturais adotados na etapa de análise da estrutura deve ser comprovada ao se realizar a síntese estrutural, etapa indispensável do projeto, mesma que seja feita de forma simplificada. De forma geral, temos os seguintes modelos simplificados que podem ser adotados na fase de Análise Estrutural:

1) lajes + vigas contínuas + pilares + fundações 
2) lajes + grelha de vigas + pilares + fundações 
3) lajes (representadas por grelhas ou malha de elementos finitos) + grelha de vigas + pilares + fundações 
4) lajes (grelhas ou malhas de E.F.s) + pórtico espacial + fundações 
5) lajes (grelhas ou malhas de E.F.s) + pórtico espacial + fundações (considerando interação solo-estrutura)

Os modelos acima citados estão ordenados em escala crescente de dificuldade, mas também de precisão dos resultados e de confiabilidade. Em relação ao comportamento do material constituinte da estrutura, tem-se alguns tipos de análises. Os principais são:

a) análise linear; 
b) análise linear com redistribuição; 
c) análise limite 
d) análise não linear

Cada uma destas análises também possui seu nível de complexidade (e de acuidade). Todas elas podem ser combinadas com os modelos simplificados da estrutura. 

A decisão de qual modelo e qual tipo de análise física adotar é critério e responsabilidade do engenheiro estrutural.