Sistema Toyota de produção na construção civil: Uma sugestão de aplicação do método kanban na construção
“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.”
Em meados do século XX, no Japão, era desenvolvido pela Toyota Motor Company um sistema de produção totalmente inovador focado no aumento da produtividade e da eficiência, com a aplicabilidade e eficácia da filosofia Just-in-Time e do método Kanban.
Entretanto, o sucesso do sistema Toyota de produção (STP) não advém de alguns métodos aplicados ou tecnologia; o bem sucedido STP é construído em um meio que agrupe todos os seus princípios, métodos e técnicas (GHINATO, 1995).
O STP revolucionou a indústria a nível mundial – com exceção dos japoneses o resto do mundo seguia o molde de operações fordista, criado no inicio do século XX, onde o foco era a produção em massa, com a geração de grandes volumes de materiais em estoque.
Com uma mentalidade enxuta o sistema criado no Japão, prezava pela otimização e o aumento de produtividade (LIKER, 2005). Ainda de acordo com Liker (2005), a necessidade de se repensar o modelo de como produzir produtos, se deu após o fim da Segunda Guerra Mundial, em meados da década de 40 do século passado.
O Japão estava com grande parte do seu parque industrial destruído e, a ocupação dos países aliados (no caso, os Estados Unidos da América), percebeu-se que além de mão-de-obra, os japoneses precisariam produzir máquinas e automóveis em grande escala para atender a demanda da reconstrução das terras nipônicas.
Ao citar a indústria automobilística, um dos principais fabricantes de veículos era a Toyota, porém, era preciso aumentar sua capacidade de produção e fazer diversos cortes financeiros em vários setores para evitar a falência empresarial. Em 1950, Eiji Toyoda, engenheiro presidente da Toyota Motor Company, visitou por três meses as instalações do parque fabril Rouge da empresa automobilística norte-americana Ford, na cidade de Detroit.
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Seu objetivo era compreender melhor como o modelo de fabricação estadunidense conseguia produzir 7000 automóveis diariamente, enquanto a montadora japonesa atingia uma produção diária de apenas 2685 veículos. Tendo em vista tal cenário, Eiji constatou que era possível melhorar o sistema de produção da Toyota. No entanto, duplicar o sistema fordista utilizado naquela cidade se demonstrava um processo de grande complexidade naquele momento.
Com o auxilio do colega de trabalho Taiichi Ohnho, a equipe japonesa concluiu que implementar aquele sistema de produção em massa no Japão seria irreal, pois era preciso utilizar a capacidade produtiva para a montagem de mais de um veiculo, uma vez que a situação do mercado era de baixa demanda para a produção em massa de apenas um modelo. Diante desse prólogo experimental, a organização veio a criar seu próprio sistema produtivo – denominado sistema Toyota de produção, sistema este que delimitou os processos da produção enxuta (WOMACK e COL, 1992).
Após aplicação do STP a Toyota estava alcançando resultados surpreendentes, mesmo atravessando um período de crise que teve inicio em 1973, onde impactava diretamente as exportações devido às incertezas constantes nas refinarias de petróleo, o que afetaria toda a exportação de bens e matérias no mundo.
As demais indústrias japonesas passavam dificuldades causadas pelo baixo crescimento econômico, onde gerentes de grandes manufaturas nipônicas notaram que a Toyota manteve seus bons resultados empregando um sistema produtivo próprio.
Após conhecimento das possíveis aplicações deste sistema em outros setores industriais houve uma forte inserção da mentalidade enxuta por grande parte das áreas de bens e serviços (OHNO, 1997). Contudo, este trabalho de conclusão de curso, utiliza ferramentas do STP adaptadas as demandas e necessidades da construção civil.
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