OS CUSTOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL



Desde a antiguidade o homem sempre teve a preocupação de, antes de realizar qualquer tarefa ou serviço, calcular qual seria o custo de tal empreendimento para verificar se teria recursos e outras condições de levá-lo até o final.

 À medida que a convivência humana foi adquirindo caráter mais complexo no campo econômico, financeiro e social, e a competição foi se tornando um obstáculo a ser vencido, a necessidade de se fazer previsões de custos tornou-se imperativa. Não se concebe, nos dias atuais, a execução de qualquer obra que não tenha sua previsão de gastos bem elaborada antes de seu início.

 O orçamento é o instrumento técnico que fornece o custo do empreendimento antes de seu início. Este é, portanto, um conhecimento de engenharia que o profissional da área necessita ter familiaridade e perfeito domínio.


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CUSTO, PREÇO E VALOR 

Embora sejam freqüentemente usadas de maneira indistinta, essas grandezas que compõem a estrutura da elaboração de orçamentos encerram conceitos distintos e que devem ser considerados.

 CUSTO – Chamamos de custo a importância financeira ou qualquer outro tipo de esforço necessário de ser empregado na produção de um bem ou produto, seja este material ou não. Por exemplo, a importância gasta com materiais, mão-de-obra, etc para se fabricar um par de calçados ou o esforço e o emprego de recursos financeiros para a obtenção do título de mestre em determinada especialidade.

 PREÇO – A importância financeira ou outro tipo de esforço necessário para se adquirir determinado bem ou produto chama-se preço.

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 Adquirir determinado bem significa em que o bem já esteja sendo produzido ou pronto e que já houve um custo de produção, o que nos leva a concluir que Preço e Custo são importâncias diferentes teoricamente.

 O Preço normalmente corresponde ao Custo acrescentado de uma importância que podemos chamar de lucro. Lembramos que as duas grandezas, apesar de seus conceitos aparentemente fáceis e distintos de serem assimilados, apresentam uma certa relatividade face a quem seja o produtor e o adquirente do bem em questão.

 Para exemplificar, citamos o caso do revendedor de sapatos, que compra o produto do fabricante por um preço ( referente ao fabricante ) e o vende por um outro preço ( referente ao revendedor ) , mas o preço de aquisição para o revendedor pode ser considerado como um custo.

 Por esse motivo é que sabemos que um produto chega ao consumidor final por um preço tão mais elevado quantos forem os intermediários no caminho produtor/consumidor.

 VALOR - O Conceito desta grandeza nem sempre é objetivamente claro e definido, pois está ligado a condições subjetivas como necessidade, utilidade, benefícios que o bem pode trazer ao adquirente, etc.

 O que valeria mais durante o inverno, uma roupa de lã ou de linho? O que valeria mais durante o verão, um aquecedor de ambientes ou um refrigerador? O valor de bens e produtos é regido pela lei de oferta e procura presente no regime capitalista.

 Uma constatação que podemos fazer a essa altura é a de que a engenharia é muito mais envolvida com os custos e preços do que com os valores de bens. 

Há certa necessidade de especialização dentro da engenharia, para se trabalhar com valores de bens (engenharia de avaliações).

 O trabalho de orçamentação para as obras de edificações se restringe à determinação dos custos de produção de cada serviço, cada etapa construtiva e do custo global da obra. 

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CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS

(a) Custos quanto à identificação com o produto 

Custos Diretos - Este grupo de custos é composto por aqueles que se identificam diretamente com o produto. São utilizados na sua composição, ficando a ele incorporado, mesmo que não fisicamente. É o caso de materiais de consumo como tijolos, cimento, areia, brita, tintas, vidros, cal, etc, mão-de-obra de pedreiros, serventes, armadores, carpinteiros, etc e seus encargos trabalhistas e etc.

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 Custos Indiretos - Utilizando-se o raciocínio anterior, os custos indiretos são os gerados por elementos que são auxiliares na execução dos serviços, mas não ficam incorporados à obra. O conceito dos custos indiretos não obedece a critérios apenas técnicos, mas envolve outras circunstâncias temporais de caráter comercial, durante o estabelecimento das diretrizes de negociação das obras, ou seja, o que em uma determinada obra é considerado custo indireto, em uma outra pode não ser de interesse considerá-lo assim. Existem também divergências entre empresas na determinação de custos indiretos, oriundas da filosofia administrativa ou da política comercial adotada por elas. Muito embora haja todas essas polêmicas a seu respeito, os custos indiretos estão longe de ser considerados como secundários ou de pequena importância, pois exercem influência representativa nos custos de obras e nos lucros das empresas construtoras.

 Por ser um tema polêmico e dotado de relativa complexidade, é indispensável um bom conhecimento sobre essa questão através de constantes estudos em fontes de pesquisa disponíveis.

 Importante: Em termos práticos, pode-se dizer que não traz resultados diferentes quando determinados custos são considerados diretos ou indiretos, pois de uma ou de outra forma eles serão incorporados ou às planilhas de custos (diretos) ou incluídos no BDI – benefícios e despesas indiretas.

 O importante é que tais custos sejam efetivamente computados sem omissões no orçamento. Os custos indiretos, para efeito de melhor organização didática, se dividem em dois grupos:

 1. Custos indiretos locais São os custos gerados por elementos localizados no canteiro de obras. Como exemplos, temos: engenheiros de obra, mestre-de-obras e outras funções administrativas locais e equipamentos de difícil alocação em uma só obra. 

Este grupo de custos indiretos são os mais discutidos e causadores de polêmicas. 

2. Custos indiretos empresariais (overheads) Aqueles que ocorrem no escritório central da construtora e/ou com a administração geral da empresa (alguns autores usam chamá-los custos administrativos ou da administração central). 

Estes custos não deixam dúvida quanto a sua natureza de custos indiretos. Eles podem ser divididos em 4 grupos por afinidade, conforme se segue.

 - Administrativos - são os gerados por despesas com a manutenção do escritório central da construtora, oficinas, almoxarifados, tais como funcionários para todas as funções, seus salários e encargos sociais, materiais de escritório e outros de consumo, veículos, maquinários e equipamentos, manutenções normais (limpeza, reparos, etc), depreciações, aluguéis, periódicos e livros, papéis diversos, softwares, normas técnicas, etc.

 - Comerciais - os provenientes de todas as atividades do Departamento Comercial da empresa, com marketing, vendas, corretagens, consultorias, etc.

 - Tributários - gerados por obrigações tributárias da empresa construtora, como despesas cartoriais (emolumentos), impostos (ISSQN, IRPJ, SENAI, SENAC, SEBRAE, COFINS, PIS, etc), anuidades diversas, taxas municipais, estaduais e federais (água, luz, telefone, etc), alvarás, licenças, multas, certidões e outras.

 - Financeiros - são os custos oriundos de todas as operações financeiras que os gerem, como, por exemplo, empréstimos bancários, documentação emitida por entidades financeiras e bancárias, juros diversos para aquisições de maquinários, preparação de propostas, de licitações, etc.

 Um caso especial é o chamado custo financeiro, gerado pela perda em conseqüência da defasagem entre a data da medição dos serviços e a data do recebimento do pagamento da medição, o qual é, por vezes, considerado ilegítimo por muitos órgãos públicos.



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 (b) - Custos quanto à variação do volume do produto

 1. Custos Fixos - Estes custos são aqueles que, dentro de certos limites definidos de demanda produtiva, não variam apesar da variação da demanda de produção. Exemplos: os custos indiretos empresariais (para certos limites de volume total de obras da construtora), os equipamentos de obra (dentro de seus limites máximos de trabalho e da demanda produtiva da obra). Até os limites máximos de demanda produtiva que se pode atender com um determinado custo fixo, este se mantém constante, mesmo não trabalhando no limite máximo. Uma vez ultrapassado esse limite, estabelece-se então nova base produtiva, que gerará um custo fixo diferente, porém constante para o novo limite de demanda.

 2. Custos Variáveis - São os custos totais (não unitários) que variam diretamente proporcional à variação do volume do produto. É o caso dos custos diretos de materiais e de mão-de-obra, custos de taxas e impostos cobrados proporcionalmente ao volume da obra, etc.

 3. Custos Semi-variáveis - O grupo dos custos semi-variáveis representa o maior deles, pois apresentam características de custos fixos e de custos variáveis.

 Estes são os custos que variam conforme a variação do volume do produto, mas não diretamente proporcional. Os casos mais comuns são os decorrentes de modificações de projetos, sejam acréscimos ou decréscimos de áreas ou de elementos isolados, etc.


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