Autor: E. Nogueira
Introdução a Engenharia Econômica
A alocação de capital nas empresas é uma das tarefas mais críticas da administração. Decisões corretas favorecendo certos projetos em detrimento de outros podem proporcionar resultados satisfatórios em termos de competitividade. No entanto, seleções equivocadas podem comprometer o bom desempenho da empresa e, por consequência, sua posição competitiva.
Dessa maneira, os responsáveis pela elaboração e análise de estudos de viabilidade econômica de projetos devem estar atentos para que esse trabalho seja desenvolvido com o cuidado necessário e fundamentado nos conceitos e técnicas desenvolvidos no âmbito da Engenharia Econômica.
Nas empresas, é comum encontrar, na mesa dos diretores, um conjunto de projetos solicitando recursos para que possam ser viabilizados. O setor de produção solicita a aquisição de novas máquinas e equipamentos, o marketing pede recursos para uma nova campanha publicitária, enquanto o setor de desenvolvimento solicita investimento nos laboratórios. Também é comum ouvir o diretor dizer que não tem recursos para financiar todos os projetos que estão sendo solicitados. Fato semelhante ocorre nas residências.
As famílias, em geral, têm uma série de necessidades que ainda não foram atendidas; entretanto, o orçamento familiar é reduzido, não permitindo considerar ao mesmo tempo todas as solicitações que são feitas pelos seus integrantes. Nas empresas, a quantidade limitada de recursos impõe à administração a tarefa de escolher o destino de cada unidade monetária disponível.
De outra maneira, a administração deve procurar fazer o melhor uso possível de seus recursos financeiros, determinando as quantidades utilizadas no custeio das atividades operacionais e selecionando projetos que a auxiliem a proporcionar bons rendimentos para seus acionistas e a realizar seus planos estratégicos. Nas residências, em geral os pais exercem a função de administração do orçamento familiar, analisando as oportunidades e selecionando as alternativas que podem proporcionar melhores benefícios para a família.
Para que o objetivo de melhor uso possível dos recursos seja atingido é imprescindível a realização de uma análise econômica visando identificar quais oportunidades oferecem retornos mais satisfatórios para a empresa. Nos dias de hoje, ainda é possível verificar, na prática de muitas empresas e também de pessoas individualmente, o desenvolvimento de processos de tomada de decisão de investimento baseado na experiência ou na intuição do responsável.
Evidentemente que a experiência de quem toma a decisão é importante e pode ser traduzida no conhecimento que ele possui do empreendimento no qual está envolvido. Isso significa que ele conhece muito bem o seu produto, as necessidades de seus clientes e as mudanças que por ventura estejam ocorrendo nesse quesito, as evoluções tecnológicas em nível de produto ou de processo que possam estar em curso, os movimentos dos concorrentes etc.
A experiência é fundamental, mas pode não ser suficiente para que sejam selecionadas as melhores alternativas do ponto de vista econômico. É necessário um processo mais estruturado que considere os aspectos qualitativos e quantitativos do investimento e que incorpore as experiências ou os conhecimentos dos responsáveis pela tomada de decisão.
Nesse sentido, a Engenharia Econômica cumpre um papel fundamental, pois auxilia quem toma a decisão na avaliação de alternativas de investimentos. Oliveira (1982) define Engenharia Econômica como uma técnica que possibilita quantificar monetariamente e avaliar economicamente as alternativas de investimento, permitindo ao administrador ter a posse do conjunto de elementos necessários à tomada de decisão.
Decisões econômicas são tomadas a todo momento em uma empresa, quando se faz a opção por comprar uma máquina ou equipamento, quando se decide construir uma nova planta ou um novo centro de distribuição, quando se resolve comprar uma peça ou componente de terceiros ao invés de fabricá-la internamente, quando se contrata uma transportadora para entregar os produtos, quando se compra uma quantidade maior ou menor de matéria-prima, quando se aplicam recursos em um ativo financeiro qualquer etc.
Deve-se, nessas e em outras circunstâncias, utilizar os recursos disponibilizados pela Engenharia Econômica para a tomada de decisão.
É possível organizar o processo de tomada de decisão de investimentos em cinco etapas ou fases: identificação dos objetivos, geração de alternativas, caracterização e conversão, avaliação das alternativas de investimento e tomada de decisão.
O processo se inicia com a definição de objetivos a serem alcançados pela organização ou mesmo por um setor da empresa. A empresa pode, por exemplo, almejar ampliar sua capacidade de produção visando atender a uma demanda crescente. Determinadas situações proporcionadas pela concorrência podem fazer com que a empresa se mobilize no sentido de adquirir conhecimentos de produtos e processos para não perder participação no mercado. Em outras ocasiões, a empresa necessita desenvolver projetos para melhorar a qualidade de seus produtos ou ainda reduzir custos de fabricação ou de distribuição, ampliar mix ou melhorar serviço aos clientes. Pode ainda necessitar desenvolver ações de marketing visando melhorar a imagem do produto e da marca.
Enfim, existem diversas possibilidades de projetos de diferentes naturezas a partir dos quais a empresa pretende atingir objetivos específicos ou resolver um determinado problema. Dessa maneira, nessa primeira etapa do processo de tomada de decisão, deve-se definir precisamente qual ou quais são os objetivos a serem alcançados ou o que a organização precisa ou deseja atingir.
Essa etapa do processo é de suma importância e exige das pessoas envolvidas muita criatividade. Nesse momento, considerando que os objetivos foram definidos na etapa anterior, será necessário gerar alternativas que possibilitem à empresa atingi-los.
Deve-se ressaltar que as alternativas geradas, além de proporcionarem à empresa alcançar os objetivos almejados, devem contemplar as restrições físicas e econômicas existentes naquele momento. Também é importante ressaltar que, em todo processo de decisão de investimento, a alternativa de não investir em qualquer dos projetos em avaliação deve sempre ser considerada.
Essa terceira etapa consiste inicialmente numa descrição detalhada de cada alternativa gerada na etapa anterior. É fundamental que sejam destacados as principais características de cada alternativa, suas limitações, os resultados esperados com sua utilização etc.
Essa etapa deve abranger o maior número possível de informações, de caráter qualitativo ou quantitativo, para facilitar o processo de avaliação. Feita a caracterização, é necessário converter as informações obtidas em um fator comum a todas as alternativas. O fator comum utilizado na análise econômica é o valor expresso em termos monetários.
Tendo as características das alternativas expressas na forma monetária, elaboram-se os fluxos de caixa de cada alternativa e, por meio da utilização dos métodos da Engenharia Econômica, faz-se uma análise quantitativa e qualitativa de todas alternativas. Essas análises servirão de subsídio para a próxima etapa, que é a tomada de decisão.
As análises das alternativas realizadas na etapa anterior serão as principais referências para a decisão. É importante salientar que, dependendo do projeto ou da alternativa de investimento em consideração, o processo decisório envolverá maior ou menor número de pessoas ocupando diferentes posições na organização.
Quanto maior o volume de capital envolvido na alternativa de investimento analisada, maior será o nível hierárquico dos envolvidos na tomada de decisão, favorável ou não ao projeto. Projetos envolvendo grandes somas de capital são analisados por um comitê composto de diversas pessoas da organização, entre elas o diretor industrial e o financeiro, por exemplo.
Deve-se também ressaltar que as pessoas responsáveis pela tomada de decisão, em geral, acrescentam à avaliação elaborada na etapa anterior outros aspectos qualitativos que muitas vezes ainda não foram considerados e que podem ter influência significativa na decisão a ser tomada. Finalmente, de posse do maior número de informações possíveis, os responsáveis podem emitir um parecer final aprovando ou não o projeto em consideração ou ainda selecionando uma determinada alternativa em detrimento de outras.
Neste artigo procuramos destacar a importância da Engenharia Econômica para as empresas e também para os indivíduos. Apresentaram-se também algumas etapas que, se seguidas, podem auxiliar o responsável pela decisão de investimento a realizar uma avaliação econômica mais consistente.
Introdução a Engenharia Econômica
A alocação de capital nas empresas é uma das tarefas mais críticas da administração. Decisões corretas favorecendo certos projetos em detrimento de outros podem proporcionar resultados satisfatórios em termos de competitividade. No entanto, seleções equivocadas podem comprometer o bom desempenho da empresa e, por consequência, sua posição competitiva.
Dessa maneira, os responsáveis pela elaboração e análise de estudos de viabilidade econômica de projetos devem estar atentos para que esse trabalho seja desenvolvido com o cuidado necessário e fundamentado nos conceitos e técnicas desenvolvidos no âmbito da Engenharia Econômica.
Nas empresas, é comum encontrar, na mesa dos diretores, um conjunto de projetos solicitando recursos para que possam ser viabilizados. O setor de produção solicita a aquisição de novas máquinas e equipamentos, o marketing pede recursos para uma nova campanha publicitária, enquanto o setor de desenvolvimento solicita investimento nos laboratórios. Também é comum ouvir o diretor dizer que não tem recursos para financiar todos os projetos que estão sendo solicitados. Fato semelhante ocorre nas residências.
As famílias, em geral, têm uma série de necessidades que ainda não foram atendidas; entretanto, o orçamento familiar é reduzido, não permitindo considerar ao mesmo tempo todas as solicitações que são feitas pelos seus integrantes. Nas empresas, a quantidade limitada de recursos impõe à administração a tarefa de escolher o destino de cada unidade monetária disponível.
De outra maneira, a administração deve procurar fazer o melhor uso possível de seus recursos financeiros, determinando as quantidades utilizadas no custeio das atividades operacionais e selecionando projetos que a auxiliem a proporcionar bons rendimentos para seus acionistas e a realizar seus planos estratégicos. Nas residências, em geral os pais exercem a função de administração do orçamento familiar, analisando as oportunidades e selecionando as alternativas que podem proporcionar melhores benefícios para a família.
Para que o objetivo de melhor uso possível dos recursos seja atingido é imprescindível a realização de uma análise econômica visando identificar quais oportunidades oferecem retornos mais satisfatórios para a empresa. Nos dias de hoje, ainda é possível verificar, na prática de muitas empresas e também de pessoas individualmente, o desenvolvimento de processos de tomada de decisão de investimento baseado na experiência ou na intuição do responsável.
Evidentemente que a experiência de quem toma a decisão é importante e pode ser traduzida no conhecimento que ele possui do empreendimento no qual está envolvido. Isso significa que ele conhece muito bem o seu produto, as necessidades de seus clientes e as mudanças que por ventura estejam ocorrendo nesse quesito, as evoluções tecnológicas em nível de produto ou de processo que possam estar em curso, os movimentos dos concorrentes etc.
A experiência é fundamental, mas pode não ser suficiente para que sejam selecionadas as melhores alternativas do ponto de vista econômico. É necessário um processo mais estruturado que considere os aspectos qualitativos e quantitativos do investimento e que incorpore as experiências ou os conhecimentos dos responsáveis pela tomada de decisão.
Nesse sentido, a Engenharia Econômica cumpre um papel fundamental, pois auxilia quem toma a decisão na avaliação de alternativas de investimentos. Oliveira (1982) define Engenharia Econômica como uma técnica que possibilita quantificar monetariamente e avaliar economicamente as alternativas de investimento, permitindo ao administrador ter a posse do conjunto de elementos necessários à tomada de decisão.
Decisões econômicas são tomadas a todo momento em uma empresa, quando se faz a opção por comprar uma máquina ou equipamento, quando se decide construir uma nova planta ou um novo centro de distribuição, quando se resolve comprar uma peça ou componente de terceiros ao invés de fabricá-la internamente, quando se contrata uma transportadora para entregar os produtos, quando se compra uma quantidade maior ou menor de matéria-prima, quando se aplicam recursos em um ativo financeiro qualquer etc.
Deve-se, nessas e em outras circunstâncias, utilizar os recursos disponibilizados pela Engenharia Econômica para a tomada de decisão.
Organizando o processo de tomada de decisão de investimento
É possível organizar o processo de tomada de decisão de investimentos em cinco etapas ou fases: identificação dos objetivos, geração de alternativas, caracterização e conversão, avaliação das alternativas de investimento e tomada de decisão.
Identificação dos objetivos
O processo se inicia com a definição de objetivos a serem alcançados pela organização ou mesmo por um setor da empresa. A empresa pode, por exemplo, almejar ampliar sua capacidade de produção visando atender a uma demanda crescente. Determinadas situações proporcionadas pela concorrência podem fazer com que a empresa se mobilize no sentido de adquirir conhecimentos de produtos e processos para não perder participação no mercado. Em outras ocasiões, a empresa necessita desenvolver projetos para melhorar a qualidade de seus produtos ou ainda reduzir custos de fabricação ou de distribuição, ampliar mix ou melhorar serviço aos clientes. Pode ainda necessitar desenvolver ações de marketing visando melhorar a imagem do produto e da marca.
Enfim, existem diversas possibilidades de projetos de diferentes naturezas a partir dos quais a empresa pretende atingir objetivos específicos ou resolver um determinado problema. Dessa maneira, nessa primeira etapa do processo de tomada de decisão, deve-se definir precisamente qual ou quais são os objetivos a serem alcançados ou o que a organização precisa ou deseja atingir.
Geração de alternativas
Essa etapa do processo é de suma importância e exige das pessoas envolvidas muita criatividade. Nesse momento, considerando que os objetivos foram definidos na etapa anterior, será necessário gerar alternativas que possibilitem à empresa atingi-los.
Deve-se ressaltar que as alternativas geradas, além de proporcionarem à empresa alcançar os objetivos almejados, devem contemplar as restrições físicas e econômicas existentes naquele momento. Também é importante ressaltar que, em todo processo de decisão de investimento, a alternativa de não investir em qualquer dos projetos em avaliação deve sempre ser considerada.
Caracterização e conversão
Essa terceira etapa consiste inicialmente numa descrição detalhada de cada alternativa gerada na etapa anterior. É fundamental que sejam destacados as principais características de cada alternativa, suas limitações, os resultados esperados com sua utilização etc.
Essa etapa deve abranger o maior número possível de informações, de caráter qualitativo ou quantitativo, para facilitar o processo de avaliação. Feita a caracterização, é necessário converter as informações obtidas em um fator comum a todas as alternativas. O fator comum utilizado na análise econômica é o valor expresso em termos monetários.
Análise econômica das alternativas
Tendo as características das alternativas expressas na forma monetária, elaboram-se os fluxos de caixa de cada alternativa e, por meio da utilização dos métodos da Engenharia Econômica, faz-se uma análise quantitativa e qualitativa de todas alternativas. Essas análises servirão de subsídio para a próxima etapa, que é a tomada de decisão.
Decisão
As análises das alternativas realizadas na etapa anterior serão as principais referências para a decisão. É importante salientar que, dependendo do projeto ou da alternativa de investimento em consideração, o processo decisório envolverá maior ou menor número de pessoas ocupando diferentes posições na organização.
Quanto maior o volume de capital envolvido na alternativa de investimento analisada, maior será o nível hierárquico dos envolvidos na tomada de decisão, favorável ou não ao projeto. Projetos envolvendo grandes somas de capital são analisados por um comitê composto de diversas pessoas da organização, entre elas o diretor industrial e o financeiro, por exemplo.
Deve-se também ressaltar que as pessoas responsáveis pela tomada de decisão, em geral, acrescentam à avaliação elaborada na etapa anterior outros aspectos qualitativos que muitas vezes ainda não foram considerados e que podem ter influência significativa na decisão a ser tomada. Finalmente, de posse do maior número de informações possíveis, os responsáveis podem emitir um parecer final aprovando ou não o projeto em consideração ou ainda selecionando uma determinada alternativa em detrimento de outras.
Considerações finais
Neste artigo procuramos destacar a importância da Engenharia Econômica para as empresas e também para os indivíduos. Apresentaram-se também algumas etapas que, se seguidas, podem auxiliar o responsável pela decisão de investimento a realizar uma avaliação econômica mais consistente.