A Logística na Construção Civil


No Brasil o conceito de logística na construção civil é relativamente recente. Pode-se considerar que na distribuição física sua implantação se deu com a chegada das redes de supermercado americanas e europeias após a abertura econômica.

 A logística de suprimentos chegou pelas montadoras que buscavam reduzir seus estoques ou mesmo implantar o modelo Japonês de Just in time que é um método de produção que determina que nada pode ser produzido, transportado ou comprado antes da hora certa, onde o estoque deve ser o menor possível.

 Os processos devem receber os materiais no tempo certo, na quantidade necessária e só o que realmente é necessário para o momento deve ser produzido, evitando a existência de estoques e de perdas por superposição. Para operar com o sistema Just-in-time é necessário o comprometimento de todas as pessoas envolvidas no processo, independente do cargo, visto que, por não haver estoque, a produção não tem mecanismos para absorver impactos ou problemas no processo.

 A logística na construção civil é importante para planejar, controlar e programar de maneira eficiente o fluxo de armazenamento e distribuição de produtos e a execução dos serviços, bem como das informações relacionadas. Portanto, ela é essencial para a organização do canteiro de obras, controle e gestão da produção e de estoques, colaborando para a redução de desperdícios e melhoria contínua dos processos de produção.

 Essa pesquisa se interessa pelos fluxos de produtos. Por meio da logística implantada no canteiro de obras, é possível ainda garantir visibilidade e controle dos principais indicadores de resultado das obras, possibilitando uma tomada de decisão mais rápida e eficaz sobre eventuais distorções de prazo e custo de construção.

 Atualmente, a "gestão da logística é a parte da gestão da cadeia de suprimentos que planeja, implementa e controla os fluxos direto e reverso e a armazenagem eficiente e eficaz de bens, serviços e informações relacionadas, do seu ponto de origem até o seu ponto de consumo, de maneira a atender as necessidades dos clientes" (CSCMP, 2010). 

Abrange uma área da gestão responsável não só pelo planejamento, mas também pela otimização das informações ligadas a execução de todas as atividades dentro de uma empresa.

 A gestão logística gerencia e supervisiona todas as atividades envolvidas na movimentação de bens como o transporte de materiais, pessoas e recursos para o lugar certo no momento certo; por conta disso, é considerada como a arte de administrar o fluxo de materiais e produtos da fonte até os usuários. (BALLOU, 2003).

 Na construção, a logística trata de um "processo multidisciplinar aplicado nas obras que visam garantir a aquisição do armazenamento, o processamento e disponibilização de recursos e materiais nas frentes de trabalho, bem como o dimensionamento das equipes de produção e a gestão dos fluxos físicos. Tal processo ocorre com base em atividades de planejamento, organização, direção e controle, tendo como principal suporte o fluxo de informações, antes e durante o processo produtivo". (SILVA; CARDOSO, 1997).

Cardoso (1996) propõe uma subdivisão para a logística aplicável às empresas construtoras, classificando-a quanto a sua função em: logística de suprimentos (externa) e logística de canteiro (interna). Há ainda a logística de distribuição física, apontada por Novaes; Alvarenga (1994), "que opera de dentro para fora da empresa, envolvendo tanto as transferências de produtos entre a fábrica e os armazéns próprios ou de terceiros quanto à distribuição de produtos para o mercado consumidor"; por analogia, pode-se associar a logística de distribuição, no âmbito dos canteiros de obras, às transferências de produtos entre as áreas de produção internas dos canteiros ("fábricas") e as áreas de estocagem de produtos junto às frentes de produção.

 A construção civil, pouco utiliza os conceitos e as ferramentas da logística em suas práticas de gestão, fato que repercute significativamente na produtividade, qualidade e prazos, além de não contribuir para a redução de altos índices de desperdício.

 A logística possui hoje uma ampla área de atuação e de abrangência, nos mais diversos sistemas produtivos e empresariais. Ela não se restringisse apenas a materiais e produtos, mas, também, a serviços e mão de obra. Pode-se contextualizar operacionalmente a logística como a função sistêmica de otimização do fluxo de materiais e informações de uma organização.

 A logística integra duas ou mais atividades gerenciais e operacionais, planejando e implementando o fluxo de materiais e de informações. Segundo (BARBOSA, 2007), ao longo de uma cadeia de suprimentos, existe uma sucessão de serviços, manuseios, movimentações e armazenagens, possibilitando que se faça uma analogia da indústria com um canteiro de obras, em que este seria a unidade fabril, com suas diversas organizações internas interdependentes (relação de continuidade) e intervenientes (relação de qualidade).

 Essas organizações internas seriam as diversas etapas e equipes constituintes de uma obra, ou seja, equipes de infraestrutura (sondagem, escavação, cravação de estacas, confecção de blocos, etc.), equipes de supraestrutura (formas, ferragem, concretagem, alvenaria, pintura, hidráulica, elétrica, etc.), apresentando numa extremidade os fornecedores externos e, na outra, o consumidor do produto.

 Essas equipes nada mais são do que clientes internos que necessitam serem supridos de frentes de serviço, mão de obra ou materiais. Essa analogia é racional, porém existem diferenças básicas entre a construção civil e a indústria, das quais se destacam: imobilidade do produto: mão de obra é que se desloca ao longo do produto; mão de obra com alta rotatividade e, geralmente, desqualificada; produto único e não seriado; alto custo e tempo elevado de produção; inexistência de distribuição física, etc. 

Deve-se considerar que essas diferenças de forma alguma servem como barreira ou empecilho para introdução da logística nesse segmento industrial. Ao contrário, entende-se que são situações que requerem gerenciamento mais apurado proporcionado, sem dúvida, pelo gerenciamento logístico.