DISTRIBUIÇÃO DE FREQÜÊNCIA DE TAMANHO DA FRAÇÃO AREIA E COMPACIDADE RELATIVA DE SOLOS DESENVOLVIDOS DE SEDIMENTOS DO GRUPO GEOLÓGICO BARREIRAS(1)
DISTRIBUIÇÃO DE FREQÜÊNCIA DE TAMANHO DA FRAÇÃO AREIA E COMPACIDADE RELATIVA DE SOLOS DESENVOLVIDOS DE SEDIMENTOS DO GRUPO GEOLÓGICO BARREIRAS(1)
INTRODUÇÃO
A expansão da atividade florestal e agrícola no
Brasil tem colocado em produção áreas que
apresentam limitações para tais usos. A adoção de
técnicas convencionais em ambientes propensos ao
desequilíbrio pode promover alterações nas
características que foram atribuídas originalmente
aos processos dinâmicos da gênese do solo.
No Município de Caravelas, sul da Bahia, têm-se
observado áreas que apresentam solos com horizontes
subsuperficiais adensados que dificultam o
aprofundamento de raízes e se tornam alagadas em
anos com maior pluviosidade.
Uma das características peculiares dos solos
desenvolvidos a partir de sedimentos do grupo
geológico Barreiras é o seu adensamento natural.
Segundo Hillel (1980), os horizontes, ou mesmo
camadas do solo, podem-se tornar naturalmente
adensados, como conseqüência de sua composição
textural, seu regime de umidade ou da maneira pela
qual foram formados. Solos arenosos, apesar de
apresentarem menor tendência à compactação que os
argilosos, quando contêm altas proporções de areia
fina, são facilmente compactados (Lopes, 1989), o que
é, ainda, mais agravado, quando os tamanhos dos
grãos de areia apresentam-se mais amplamente
distribuídos, levando ao quadro de compacidade
máxima mesmo a baixos valores de umidade
(Panayiotopoulos & Mullins, 1985). Dessa forma, os
estudos das características da distribuição de
freqüência de tamanho de grãos de areia podem
auxiliar na explicação dos fenômenos de adensamento,
facilidade de translocação de colóides, retenção de
umidade, efeito mulch e outras características do solo.
Freqüentemente, tem-se empregado o valor da
densidade aparente como avaliador da dificuldade de
penetração de raízes, do grau de arejamento e da
permeabilidade de horizontes do solo. Entretanto,
como a densidade aparente varia, apreciavelmente,
com a textura, estrutura, teor de matéria orgânica
(Costa, 1985), bem como com o teor e tipo de minerais
densos no solo, torna-se difícil comparar, em materiais
que diferem nessa propriedades, o grau de
adensamento com base apenas na densidade aparente.
Para solos que apresentam maiores teores de argila,
Silva et al. (1996) propõem o uso de uma medida de
densidade aparente relativa com base na densidade
aparente do solo e na densidade aparente máxima
conseguida na célula de consolidação de Rowe (Rowe
& Barden, 1966); entretanto, para solos arenosos, que
se compactam melhor com vibração do que com
compressão, propõe-se posicionar a densidade
aparente do solo entre os valores de densidade
aparente mínima e densidade aparente máxima,
seguindo as normas brasileiras para a determinação
da compacidade relativa em solos não-coesivos (ABNT,
1990; 1991).
Este trabalho teve por objetivo testar a hipótese
de que os solos desenvolvidos em ambientes de
sedimentação recente apresentam horizontes
adensados, decorrentes da suscetibilidade herdada de
características da fração areia e das propriedades
sedimentológicas inerentes ao ambiente de sedimentação.
MATERIAL E MÉTODOS
No distrito de Juerana, município de Caravelas
(BA), foram selecionados oito perfis, incluindo
Podzólicos Amarelos, Podzóis Hidromórficos, Plintossolo
e Gley pouco Húmico, em uma toposseqüência com
depressões nas suas extremidades (Figura 1), incluindo
solos com horizontes subsuperficiais adensados que
foram evidenciados por observações de campo.
O clima da região é tropical úmido sem estação
seca (Af), segundo classificação de Köppen. A
precipitação média anual é da ordem de 1.750 mm,
bem distribuída durante o ano, com desvio pluviométrico
médio anual entre 15 e 20% e temperatura média anual
de 23ºC (Nimer, 1989).
O material de origem dos solos são os sedimentos
inconsolidados do Grupo Geológico Barreiras, com
predomínio da fração arenosa, onde se destaca o
quartzo como mineral dominante, e na fração argila
predomina a caulinita, com teores muito baixos de
óxido de ferro.
A análise das feições geomorfológicas da região
revela a existência de depressões fechadas que estão associadas à pequena espessura da cobertura de
sedimentos cenozóicos sobre estratos de calcário nãoaflorantes da Formação Caravelas (Carvalho &
Garrido, 1966), exibindo feições denominadas
pseudocársticas por IBGE (1987), mas que melhor se
enquadram como carste encoberto (Guerra, 1993) ou,
ainda, como feições paleocársticas (Oliveira & Spadini,
1994).
Após a abertura das trincheiras, os perfis foram
descritos conforme Lemos & Santos (1984) e
classificados de acordo com a 3ª aproximação do
Sistema Brasileiro de Classificação de Solos
(EMBRAPA, 1988). Em cada um dos horizontes, foram
coletadas amostras de solo para as seguintes análises:
Carbono orgânico - Determinado pelo método
Walkley-Black (EMBRAPA, 1979).
Análise textural - Os teores das frações argila,
silte e areia foram determinados, usando o método da
pipeta com concentração de 0,01 mol dm-3 de NaOH
na proveta de sedimentação, conforme EMBRAPA
(1979).
Distribuição de freqüência de tamanho de
grãos da fração areia - A partir de 100 g de material
de solo, procedeu-se à desagregação física mediante
movimentos leves, com pistilo de madeira, de forma a
não quebrar os grãos de areia, seguida de dispersão
com NaOH 0,1 mol dm-3. Após sucessivas repetições
do processo, obtiveram-se amostras de areia lavada
de cada horizonte estudado. Essa areia, após secagem,
foi pesada e passada por um conjunto de 22 peneiras,
de diâmetros de malha que variaram de 0,053 a 2 mm.
Cada conjunto de seis peneiras foi agitado
mecanicamente por dois períodos de 180 segundos
cada, intercalados por agitação manual de 90 segundos
(Suguio, 1973). A areia retida em cada uma das
peneiras, exceto na de 2 mm, foi pesada, sendocalculadas as freqüências simples e a acumulada,
correspondentes a cada peneira. O diâmetro (D), em
milímetro, correspondente a cada peneira, foi
transformado para a escala φ (phi) de Krumbein
(1934), em que φ = - log2 D(mm).
Para obtenção dos valores de φ correspondentes
aos percentis utilizados nas fórmulas de cálculo dos
parâmetros estatísticos, propostos por Folk & Ward
(1957), preferiu-se fazer interpolações com base em
equações de regressão linear que envolviam dois
pontos, entre os quais está o percentil de interesse,
reproduzindo, assim, algebricamente, o que seria o
processo gráfico. Com esses valores, calcularam-se o
diâmetro médio (Mz), o desvio-padrão gráfico inclusivo
(σI), a assimetria gráfica inclusiva (SKI) e a curtose
gráfica (KG).
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