Apostila - Movimentos de Massa

Sensibilidade da argila

Movimentos de Massa

O objeto de estudo deste trabalho é um grande movimento de massa, cuja ruptura teve comportamento frágil (ruptura brusca e sem aviso prévio) e cujo deslocamento da massa foi extremamente rápido.

 Portanto, inicia-se a pesquisa por entender os tipos de movimentos de massa relatados na literatura, os materiais mobilizados, seus comportamentos característicos, entre outras informações indispensáveis para a classificação do movimento ocorrido.

 Diversos pesquisadores vêm ao longo do tempo se dedicando a criar sistemas de classificação que possam balizar e uniformizar o entendimento sobre os tipos de movimentos de massa. No Brasil, pode-se destacar o trabalho de Magalhães Freire (1965), Vargas (1966), Barata (1969), Augusto Filho (1992), e Vargas (1999).

 Internacionalmente, pode-se destacar os trabalhos de Hutchinson (1968), Carson & Kirkby (1972), Hutchinson (1988), Varnes (1978), WP/WLI (1993), Dikau et al. (1996) e Cruden & Varnes (1996), entre outros.

 Dentre estes sistemas de classificação propostos pelos autores listados, os quatro últimos destacam-se por sua similaridade e organização.

 Ambos se restringem à classificação de movimentos de taludes, utilizando como critério principal o tipo de mecanismo do movimento, e como critério secundário o tipo de material envolvido, com a diferença de que o sistema de Cruden & Varnes (1996) inseriu outros critérios secundários para a classificação como: teor de umidade no terreno, atividade e velocidade do movimento.

 Neste trabalho foram utilizados para estudo os sistemas de classificação de movimento de talude de Varnes (1978) e Cruden & Varnes (1996).


Classificação de Varnes (1978)

Varnes (1978) propôs um sistema de classificação limitado apenas a movimentos de taludes. Utilizou como fator principal discriminante o tipo de mecanismo com o qual se deu o movimento e, como fator secundário associado, o tipo de material mobilizado e a dimensão do mesmo.

 Quanto ao tipo de mecanismo, descreveu cinco classes principais: quedas, tombamentos, deslizamentos, expansões laterais e escoamentos, além de uma categoria chamada “movimentos complexos” que inclui dois ou mais tipos dos mecanismos supracitados.

 Quanto ao material, este autor propôs a separação entre rocha e solo (definido com os critérios da Engenharia Geotécnica), e subdividiu este último em detritos (debris) e terra (earth), com base na granulometria dos materiais, onde os detritos correspondem a material predominantemente grosseiro, com 20% a 80% de partículas maiores que 2,0mm (tamanho areia), e a terra corresponde ao material predominantemente fino, com 80% ou mais de partículas menores que 2,0mm (ou seja, tamanho silte e argila).