| Figura 01 - Eflorescência devido a trincas nos tijolos | 20 |
| Figura 02 - Eflorescência devido a infiltração na alvenaria | 21 |
| superior a resistência à tração da argamassa | 29 |
| inferior a resistência à tração da argamassa | 30 |
| Figura 14 – Junta de assentamento com 3 cm | 31 |
| Figura 16 – Canteiro de obras do projeto Nova Vila da Barca | 34 |
| Figura 17 – Ensaio de resistência à compressão | 36 |
| Figura 18 – Índice de ocorrências de patologias | 37 |
| Figura 19 – Tipos de patologias mais comuns | 37 |
| Figura 20 – Análise da qualidade da mão de obra | 38 |
Tabela 01 – Fissuras verticais que ocorrem na alvenaria estrutural 29 Tabela 02 - Principais causas das infiltrações em alvenarias 32 xii
| 1. INTRODUÇÃO | 13 |
| 1.1 OBJETIVOS | |
| 1.1.1 Objetivo Geral | 14 |
| 1.1.2 Objetivo Específico | 14 |
| 1.2 HIPÓTESES | 14 |
| 1.3 METODOLOGIA | 15 |
| 1.4 JUSTIFICATIVA | 15 |
| 3.1 Alvenaria Convencional | 17 |
| 3.2 Alvenaria Estrutural | 18 |
| 3.3 Fundamentação Legal (Normas Técnicas) | 18 |
| 4. PATOLOGIAS | 19 |
| 4.1 O que é patologia? | 19 |
| 4.2 Tipos de patologias | 19 |
| 4.2.1 – Eflorescência | 19 |
| 4.2.2 – Fissuração | 2 |
| 4.2.3 – Infiltrações | 31 |
| DE BELÉM | 3 |
| 5.1 O Projeto Nova Vila da Barca | 3 |
| 6. CONCLUSÃO | 39 |
| REFERÊNCIAS | 41 |
| GLOSSÁRIO | 42 |
1. INTRODUÇÃO
A alvenaria estrutural vem sendo cada vez mais utilizada pelas construtoras na atual engenharia como uma alternativa que reduz custos e algumas etapas da construção dando assim mais agilidade ao empreendimento, já que a mesma dispensa a utilização de elementos estruturais como vigas e pilares e dando um aspecto mais limpo ao canteiro de obras.
Desde que a mesma atenda as exigências das normas técnicas elaboradas para sua aplicação ela se torna uma alternativa muito viável na construção de prédios e residências.
A alvenaria estrutural se baseia em blocos que podem ser de concreto ou cerâmicos capazes de suportar e transmitir as cargas da edificação para a fundação, sem a necessidade de elementos estruturais.
Por parecer muito com a alvenaria convencional, tanto no aspecto físico e geométrico, como no modo construtivo, ela também sofre de patologias muito parecidas com as que a aparecem na alvenaria convencional.
No caso em estudo, o Projeto Nova Vila da Barca 1 , no bairro do Telégrafo em
Belém – Pará, verificou-se a ocorrência de patologias como eflorescências, fissuração, infiltrações, que causaram aos moradores descrença no sistema executivo cuja descrição e estudo detalhado são descritos nas páginas em tal trabalho. A descrença e os aborrecimentos dos moradores devem-se ao fato da ocorrência recorrente de patologias que causam efeitos estéticos desagradáveis, que depreciam os imóveis estudados; e também geram constrangimentos devido a
1 Projeto de casas populares da Prefeitura Municipal de Belém em parceria com o Governo Federal através do Plano de Aceleração do Crescimento – PAC.
presença de operários para corrigir as patologias, que causam certo tipo de incômodo e invasão de privacidade.
1.1 OBJETIVOS 1.1.1 Objetivo Geral Comprovar se esse tipo de construção é economicamente viável e se os custos com correção de patologias não oneram a obra ao ponto de se igualar aos custos de uma construção de estrutura de concreto e de vedação. 1.1.2 Objetivo Específico Contribuir para a viabilidade desse método construtivo em obras nas quais estejam sendo utilizados blocos de alvenaria estrutural de material cerâmico.
Indicar soluções para melhoria do uso do sistema de alvenaria de blocos cerâmicos.
1.2 HIPÓTESES
Para a realização deste trabalho algumas hipóteses foram levantadas como a má execução do serviço e a falta de um controle rígido no cumprimento das normas técnicas causando para o aparecimento das patologias, a constante variação climática em nossa região provocando o aparecimento de rachaduras, trincas, fissuras e infiltrações na alvenaria estrutural devido à dilatação térmica e a falta da qualificação da mão de obra para execução desse tipo de tecnologia contribuindo para a má qualidade do serviço
1.3 METODOLOGIA
Este trabalho é baseado em revisão bibliográfica, levantamento fotográfico em obras, questionário-entrevista com profissionais que executaram o método, registro de documentos e sites que possuem informações técnicas sobre anomalias em alvenaria estrutural e um estudo de caso específico.
O estudo de caso foi realizado em obra que utilizou a alvenaria estrutural, fazendo a coleta e registros das patologias ocorridas durante e após a execução e verificando quais medidas foram tomadas pela empresa executora para solucionar tais mazelas.
Durante a pesquisa as normas da ABNT foram utilizadas apenas como parâmetro para analise dos métodos de execução das construções em alvenaria estrutural
1.4 JUSTIFICATIVA
Percebe-se que apesar de ser um processo construtivo racional e eficiente, que tem como objetivo minimizar o tempo de execução, reduzir os custos com material e mão de obra, por não necessitar da execução de elementos estruturais como vigas e pilares o que é realizado na alvenaria convencional, este tipo de construção ainda apresenta muitas desvantagens devido às patologias encontradas durante e na pósexecução, o que tem causado bastante descrença nessa técnica por parte dos usuários dos imóveis.
Logo, faz-se necessário entender os motivos que causam as patologias com o intuito de melhorar a qualidade das construções realizadas com alvenaria estrutural em nossa cidade.
2. BREVE HISTÓRICO
Ao contrário do que se pensa a alvenaria estrutural não é uma tecnologia recente, ela já vem sendo utilizada há muito tempo por varias civilizações. Franco (2008) faz um resumo histórico citando alguns exemplos da utilização da alvenaria estrutural como as Pirâmides do Egito (mais de 2.500 anos), o Farol de Alexandria (280 A.C), as Muralhas da China (214 A.C), o Coliseu de Roma (82 D.C), entre outros onde o principio básico era o uso do elemento como pedras e rochas para suportar todas as cargas da estrutura de maneira empírica, baseada nas experiências anteriores e se utilizando de técnicas que foram passando de geração a geração, técnicas essas que foram evoluindo com o passar dos anos.
Ele ainda afirma que o exemplo mais marcante é o Monadnock Building, que foi construído em Chigago entre 1889 e 1891, com 16 andares e 65 metros de altura, possui paredes de 1,80 m de espessura no térreo.
Franco (2008) também afirma que em 1951, foi construído na Basiléia (Suíça) um edifício em alvenaria simples, não armada, de 13 andares, com 41,4 m de altura e paredes de 37 cm de espessura que é considerado o marco inicial da “MODERNA ALVENARIA ESTRUTURAL”. A partir de 1960 acontece a disseminação da alvenaria estrutural com a intensificação de pesquisas, criação de teorias, determinação de projetistas e engenheiros na execução de obras em alvenaria, avanços na produção de materiais e das técnicas de execução.
Segundo Ramalho e Corrêa (2003) no Brasil a alvenaria estrutural foi introduzida em 1966, em São Paulo onde foram construídos edifícios com apenas quatro pavimentos. Em 1972 foi construído o Condomínio Central Parque Lapa formado de quatro blocos de doze pavimentos.
Já nos anos 80 a alvenaria estrutural foi mais difundida com as construções de conjuntos habitacionais e o reconhecimento de ser um processo construtivo eficiente e racional de baixo custo, muito conveniente para famílias de baixa renda, apesar de se verificar naquele momento o aparecimento de muitas patologias durante e após a execução (FRANCO, 2008).
Nos anos 90 houve um grande esforço para se elaborar uma normalização para a execução de obras com essa tecnologia.
Nos dias atuais a alvenaria estrutural é muito utilizada em execução de conjuntos habitacionais em projetos de urbanização em áreas carentes, por ter um apelo econômico muito forte. Vários projetos em nossa cidade foram viabilizados devido à escolha deste tipo de tecnologia, o que tem facilitado os financiamentos para a execução dessas obras e têm levado moradia e qualidade de vidas às famílias carentes de nossa região.
3. ALVENARIAL ESTRUTURAL X ALVENARIA CONVENCIONAL
Neste item será feita uma breve explanação sobre os dois métodos construtivos mostrando algumas características de cada um, suas vantagens e desvantagens.
3.1 – Alvenaria Convencional A alvenaria convencional consiste na utilização dos blocos apenas com o intuito de vedação das paredes da construção, não é necessário um cuidado maior com os blocos e com as paredes quanto à integridade física, pois qualquer trinca ou fissura será compensada pelo revestimento colocado posteriormente.
É necessária a construção de elementos estruturais como pilares e vigas para suportar as cargas da edificação, o que demanda mais tempo, mais material como o concreto e aço, e mais mão de obra.
Algumas patologias encontradas são idênticas as percebidas na alvenaria estrutural, porém não é dada a mesma importância, pois elas não comprometem a eficiência quanto à resistência da construção.
3. 2 – Alvenaria Estrutural A alvenaria estrutural consiste na utilização dos blocos como elementos estruturais que transferem toda a carga da construção para as fundações por isso demandam um cuidado muito maior com relação à integridade física do bloco e as técnicas de execução, pois qualquer dano existente no mesmo pode ocasionar futuramente trincas e fissuras nas paredes, as quais não têm finalidade apenas de vedação. O que pode comprometer todo o sistema estrutural da construção.
3.3 - Fundamentação Legal (Normas)
Para a realização desde estudo foram utilizadas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, citadas abaixo:
• NBR 6136: Bloco vazado de concreto simples para alvenaria estrutural – Especificação.
• NBR 6461: Bloco cerâmico para alvenaria - Verificação da resistência à compressão - Preparo e ensaio à compressão.
• NBR 7171: Bloco cerâmico para alvenaria - Especificação.
• NBR 8798: Execução e controle de obras em alvenaria estrutural de blocos vazados – Procedimento.
• NBR 15270- 2: Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural – Terminologias e requisitos
• NBR 15270- 3: Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural e de vedação – Métodos de ensaio
4. PATOLOGIAS 4.1- O que é patologia? O termo patologia (derivado do grego pathos, sofrimento, doença, e logia, ciência, estudo) é o estudo das doenças em geral sob aspectos determinados muito utilizado na área medica é atualmente empregado na engenharia civil fazendo uma associação com a medicina, como sendo a parte da engenharia que estuda as anomalias (doenças) das edificações (MATTOS, 2005.)
4.2 - Tipos de patologias São vários os tipos de anomalias encontradas nas alvenarias estruturais e também várias são as causas dessas patologias, dentre todas as anomalias as fissuras são as mais frequentes. A seguir listaremos algumas patologias que foram encontradas durante a pesquisa.
4.2.1 – Eflorescência A eflorescência é decorrente de depósitos salinos de metais alcalinos e alcalinos terrosos na superfície das alvenarias provenientes da migração de sais solúveis dos materiais e dos componentes da alvenaria.
É caracterizada pela aparência esbranquiçada e ocasiona alteração na aparência da alvenaria, muitas das vezes pode ser agressiva e causar desagregação profunda.
Para que ela ocorra devem existir concomitantemente três condições: presença de água, existência de sais solúveis nos materias utilizados e pressão hidrostática. A eliminação de uma dessas três condições poderá solucionar tal anomalia.
Thomaz (1989) afirma que em componentes cerâmicos os sais que podem gerar eflorescência se formam na queima do produto pela reação de vários componentes da matéria prima. Os sulfatos são provenientes dos componentes cerâmicos da alvenaria, da água de amassamento das argamassas e da reação dos elementos químicos da cerâmica com os do cimento.
No caso estudado, percebeu-se que a enorme quantidade de chuvas que ocorrem em nossa região favoreceu ao aparecimento das eflorescências, pois as águas pluviais se acumularam através de infiltrações nas paredes ocasionadas pela falta de revestimento na alvenaria, trincas nos tijolos e falhas nas juntas de assentamento, ocasionando o aparecimento do fenômeno como podemos observar nas figuras 01 e 02.


Figura 02 – Parede apresentando sinais de eflorescência devido as infiltrações na alvenaria. FONTE: CORRÊA (2010)
Detectada a ocorrência da eflorescência se deve tentar realizar um diagnóstico mesmo que superficial verificando os seguintes pontos:
• Se ela é generalizada ou manifesta-se em regiões localizadas da alvenaria.
• Se na alvenaria existem falhas por onde pode haver a penetração de água como fissuras ou juntas de assentamento mal executadas,
• Se ela ocorre nos componentes da alvenaria e/ou na argamassa.
• Se ela pode ser facilmente removida por escovação ou dissolução de água.
Percebe-se que as eflorescências são provenientes da presença de água na alvenaria, logo se deve fazer o máximo possível para eliminar pontos de umidade.
A simples escovação com escova de piaçava ou aço elimina as eflorescências pulverulentas, porém o acúmulo de salinização endurecido deve ser removido com aplicação de ácido muriático diluído água. 4.2.2 – Fissurações A fissura é o tipo mais comum de anomalia decorrente em alvenaria estrutural e pode acontecer por diversos fatores. As causas responsáveis por estas anomalias são as mais diversas, desde a má fabricação do bloco cerâmico nas olarias, passando pelas péssimas condições de transporte e estocagem, ao cuidado na hora da execução.
Percebe-se que os fabricantes não seguem rigidamente as recomendações da
NBR 7171 para fabricação de blocos estruturais, o que acarreta em blocos com irregularidades como variação do dimensionamento, má formações e diferenciamento de cores nos casos de utilização como alvenaria aparente.
A falta de um controle de qualidade mais eficaz por parte dos fornecedores ainda é um um grande problema quando se trata de alvenaria estrutural. Geralmente eles são fabricados em olarias artesanais que não apresentam as mínimas condições técnicas de controle e muito menos pessoal especializado para realização deste serviço.
No caso estudado podemos verificar que durante o período da pesquisa, 90% dos blocos entregues pelo fornecedor apresentavam falhas. As mais comuns eram trincas no sentido vertical tanto nas paredes internas, quanto externas dos blocos utilizados como podemos ver nas figuras 03, 04 e 05.
Figura 04 – Bloco que apresenta trincas verticais provenientes da fabricação - vista externa FONTE: CORRÊA (2010)
Figura 05 – Bloco que apresenta trincas verticais provenientes da fabricação – vista superior FONTE: CORRÊA (2010)
As condições de transporte e a estocagem também são fatores que acarretam muitas trincas à alvenaria estrutural. O transporte geralmente é feito em pequenos caminhões com péssimas condições e sem meios seguros de fazer a acomodação dos blocos. Durante o carregamento e o descarregamento e consequentemente a estocagem, também percebe-se a falta de cuidado dos colaboradores que manuseiam os blocos cerâmicos quanto à integridade fisica dos mesmos, gerando uma imensa quantidade de tijolos fissurados e quebrados ( figuras 06 e 07).
Portanto é necessário que se faça um aperfeiçoamento da logistica de transporte, recebimento e estocagem com a utilização de melhores veículos de transporte, treinamento especializado dos funcionários quanto ao manuseio durante a estocagem, enfim um controle mais severo da qualidade para que se possa reduzir ao mínimo as perdas com quebras e a utilização de tijolos trincados.
Figura 06 - Fissura provocada pela falta de cuidado no transporte e estoca gem do bloco estrutural FONTE: CORRÊA (2010)
Figura 07 - Fissura provocada durante a estocagem do bloco estrutural FONTE: CORRÊA (2010)
Outro motivo que favorece o aparecimento de trincas na alvenaria estrutural são as quebras dos tijolos para a passagem de tubulações hidrosanitárias e elétricas. No canteiro de obras isso é um problema pois erros na locação de pontos de tubulação elétrica e hidrosanitárias são mais comuns do que se imagina e quando isso acontece é quase impossivel evitar a quebra da alvenaria.
As figuras 08 e 09 mostram claramente como isso acontece no canteiro de obras e novamente a falta de conhecimento técnico de quem manuseia o bloco estrutural sobre a integridade fisica do elemento faz com ele não busque uma outra alternativa para solucionar o problema (figuras 10 e 1).
Logo conclui-se que é muito importante a interação entre todos os projetos, desde o arquitetônico, o estrutural, o elétrico e o hidrosanitário, buscando evitar futuras modificações durante a execução.





Figura 1. Alvenaria que sofreu quebra para a colo cação de tubulação hidro-sanitária. FONTE: CORRÊA (2010)
| tipo de procedimento |
No nosso local de pesquisa, quando houve a necessidade de fazer quebras na alvenaria, preencheram-se essas lacunas com a utilização do graute 2 , porém ainda não existe uma comprovação técnica de que esta solução garanta a resistência da alvenaria.
Begot (2009) diz que as alvenarias estruturais apresentam boa resistência quando são submetidas a esforços de compressão o que não ocorre quando submetidas a esforços de tração, flexão, cisalhamento e que, portanto essas são quase que na totalidade as responsáveis pelas fissurações nas alvenarias. A Tabela
2 Micro concreto bastante fluido, eventualmente necessário para o preenchimento dos vazios dos blocos e tem a função de aumentar a capacidade da alvenaria em resistir a esforços de tração (BEGOT, 2009, p.20).
01 mostra como se configura na prática as duas manifestações verticais que ocorrem na alvenaria.
Tabela 01- Fissuras verticais que ocorrem na alvenaria estrutural

Nas figuras 12 e 13 podemos verificar o tipo de comportamento da alvenaria cerâmica encontrada na obra objeto do estudo de caso deste trabalho.
Figura 12. Fissuras verticais que ocorrem quando a resistência à tração do bloco é superior a resistência à tração da argamassa. FONTE: CORRÊA (2010)
A falta de um controle tecnológico eficaz com relação ao traço da argamassa de assentamento também se configura como um fator de contribuição para o aparecimento dessas fissuras.
Begot (2009) afirma que as argamassas não devem ser altamente resistentes, eles devem ser capazes de absorver pequenas deformações. Se elas forem muito resistentes, não serão capazes de deformarem junto com os blocos e acabarão trincando os mesmos (Figura 13)
Figura 13. Fissuras verticais que ocorrem quando a resis tência à tração do bloco é inferior a da argamassa. FONTE: CORRÊA (2010)
No caso estudado também se constatou uma grande irregularidade nas espessuras das juntas de assentamento. A espessura recomendada é de 1 cm, porém foram verificadas espessuras com tamanhos inferiores e outras de até 3 cm como se pode observar na figura 14.
Se a junta de assentamento for muito pequena os blocos acabam se tocando ocasionando uma concentração de tensão nestes pontos prejudicando a alvenaria.
Quando ocorre o inverso, ou seja, uma junta de assentamento muito espessa faz com que ela fique menos confinada. Esse confinamento da argamassa é que a deixa pouco suscetível as fissuras.
Figura 14. Juntas de assentamento com até 3 cm de espessura. FONTE: CORRÊA (2010)
4.2.3 – Infiltrações As infiltrações são anomalias referentes à presença de água na alvenaria e que pode ocasionar manchas de umidade, corrosão de armaduras, bolor, fungos, algas, eflorescências, descolamento e mudança de coloração de revestimentos, e podem ser gerados devido a absorção capilar, de fluxo superficial de água, higroscópica, por condensação.
Bauer (2007) afirma que a umidade chega na alvenaria de forma líquida através da absorção capilar e fluxo superficial de água, nos demais casos ela é absorvida na forma gasosa.
Fissuras na alvenaria e argamassa de assentamento pouco consistente contribuirão para o aparecimento de infiltrações como podemos verificar na tabela
02 abaixo: Tabela 02 - Principais causas das infiltrações em alvenarias

Bauer (2007) sugere que durante a fase de projeto deve-se analisar vários aspectos no sentido de minimizar os problemas com as infiltações. Dentre esses aspectos podemos citar a orientação das fachadas em relação aos ventos predominantes, detalhes arquitetônicos e técnicos como rufos, platibandas, beirais, tipo de cobertura, a intensidade e a duração das precipitações na região.
5. PATOLOGIAS EM ALVENARIA ESTRUTURAL NA CIDADE DE BELÉM
5.1– O projeto Nova Vila da Barca
A Nova Vila da Barca é um projeto da Prefeitura Municipal de Belém em parceria do Governo Federal através do Plano de Aceleração do Crescimento que visa construir casas populares para famílias de baixa renda que moram em áreas de palafitas (Figuras 15 e 16).
O projeto prevê a construção de blocos de apartamentos com área de 42 m² com a utilização de alvenaria estrutural de blocos cerâmicos em um terreno alagado à beira da orla no bairro do Telégrafo com a utilização de tijolos estruturais, fundação em estacas de concreto e radier, lajes pré-moldadas, cobertura em telhas cerâmicas, sem revestimento interno e externo (tijolo aparente), tendo como autor do projeto o arquiteto Luiz Fernando Freitas.
Figura 15 – Foto aérea da área de intervenção do projeto Nova Vila da Barca FONTE: CORRÊA (2010)

Ele foi o alvo do estudo aqui apresentado onde pudemos constatar durante e após a execução o aparecimento de muitas das anomalias apresentadas neste trabalho.
Falhas de projeto como a execução de alvenaria aparente em uma região com um índice pluviométrico muito alto, a falta de rufo na cobertura, a entrega dos apartamentos sem revestimento de piso, falhas de execução como quebras de alvenaria para colocação de dutos, juntas de assentamento com tamanhos diferentes do exigido por norma, blocos com resistência inferior as exigidas no projeto são algumas causas dos aparecimentos de tais patologias que foram observados em nosso estudo.
Iremos agora abordar sinteticamente estas situações encontradas na execução da obra durante o nosso estudo. Uma das principais reclamações feitas pelos proprietários dos apartamentos após a entrega são as constantes infiltrações em vários pontos da alvenaria dos imóveis. Depois de algum tempo de observação pudemos concluir que dentre as causas destas infiltrações, estava à falta de revestimento externo das paredes devido à exigência do projeto da aplicação de uma resina impermeabilizante e transparente para que se mantivesse a alvenaria aparente. Esta resina é recomenda por norma técnica para a impermeabilização de alvenarias, porém o que não foi levado em consideração durante a etapa de elaboração foi o alto índice pluviométrico e de umidade de nossa região, já que o autor do projeto baseou-se em construções do mesmo tipo que foram realizadas na região sudeste do país, em que os índices são inferiores se comparados com os índices locais, essa situação até o momento se encontra sem solução, pois alterações com relação à execução de revestimento como chapisco, emboço, reboco e pintura altera o projeto inicial que prevê a execução de alvenaria aparente.
Também foi observada a falta de rufo nas coberturas dos apartamentos, devido à impossibilidade da colocação dos mesmos devido à necessidade da quebra da alvenaria, o que resultaria em perda da resistência do bloco cerâmico estrutural. A alternativa encontrada para solucionar esta situação, foi a colocação de manta asfáltica em substituição aos rufos.
Esse grande número de infiltrações e umidade existentes nos apartamentos trouxe muitos transtornos aos moradores e também foi um dos motivos pelo aparecimento de eflorescências.
Outro aspecto observado foi quanto à qualidade do bloco cerâmico utilizado na construção. Na etapa atual da execução foram recebidos na obra, blocos cerâmicos que apresentavam trincas verticais interna e externamente em quase 90% dos blocos devido às falhas de fabricação, o que nos levou a realizar um ensaio de resistência à compressão para a determinação do coeficiente de resistência a compressão do bloco – fbk - 3 em laboratório (Figura 17). O ensaio foi realizado
3 fbk é a resistência característica à compressão do bloco estrutural.( NBR 15270 – 2:2005) seguindo os critérios da NBR 15270 – 2 e NBR 15270 – 3, onde foram utilizados dois corpos de prova de medidas 19 cm x 30 cm x 14 cm. Os resultados não foram satisfatórios quanto às exigências do projeto e das normas citadas acima para alvenaria de blocos estruturais cerâmicos que é de no mínimo 6 MPa, como pode-se observar no relatório de ensaio (anexos C e D) realizado em 23.10.2009. Após essa constatação a empresa executora devolveu os tijolos e substituiu o fornecedor.

Durante a pesquisa foi realizado um levantamento do nível de conhecimento dos profissionais (engenheiros, pedreiros, encarregados) que estavam executando esse tipo de processo construtivo com relação às patologias e uma pesquisa do nível de satisfação dos proprietários com esse sistema construtivo através da aplicação de um formulário-entrevista elaborado por mim sob orientação do professor Alexandre
Ferreira conforme anexos A e B respectivamente, aonde obtivemos aos seguintes resultados:
Em sua construção foram dectadas patologias na alvenaria Estrutural?
Sim Não
Figura 18. Opinião de profissionais a respeito de ocorrências de patologias (%) FONTE: CORRÊA (2010)
Figura 19. Tipos de patologias mais comuns (%) FONTE: CORRÊA (2010)
Você acha que a falta de mão de obra especializada para a execução deste tipo de construção contribui para o aparecimento dessas anomalias?
Sim Não Não sei
Figura 20. Análise de profissionais sobre a qualidade da mão de obra (%) FONTE: CORRÊA (2010)
Em seu imóvelvocê detectou algum tipo de problema nas paredes de alvenaria?
Figura 21. Opinião dos proprietários sobre o aparecimento de patologias (%) FONTE: CORRÊA (2010)
Figura 2. Nível de confiabilidade dos usuários na alvenaria Estrutural (%) FONTE: CORRÊA (2010)
6. CONCLUSÃO
O grande problema encontrado no canteiro de obras que resultou em muitas patologias foi definitivamente a falta de conhecimento técnico da mão de obra. A mão de obra não qualificada propiciou falhas quanto ao assentamento das alvenarias onde se puderam constatar juntas de assentamento sem a devida uniformidade do espaçamento exigido por norma e sem um controle adequado quanto ao traço exigido para a execução da mesma, o que resultou em juntas muito rígidas em alguns pontos e muito fracas em outros ocasionando o aparecimento de trincas verticais na alvenaria.
O manuseio incorreto dos blocos de alvenaria, o transporte e a estocagem inadequados, a quebra indiscriminada da alvenaria para a colocação de dutos hidrosanitários e elétricos também foram verificados durante a execução da obra que resultaram em tijolos com muitas fissuras e um grande número de perdas o que para a alvenaria estrutural é inadmissível.
O que nos leva a concluir que apesar da comprovada eficiência da alvenaria estrutural quanto as suas finalidades como alta resistência, redução de custos e tempo de execução, ela ainda se torna uma alternativa que deixa dúvidas quanto a eficiência quando nos deparamos com essas patologias que poderiam ser evitadas, pois há muitos estudos das causas e efeitos que elas podem surtir nas edificações, mas mesmo assim os construtores ainda negligenciam e tratam como se fora uma alvenaria convencional.
Essa negligência acaba gerando uma desconfiança tanto dos usuários como dos construtores se realmente é viável a utilização da técnica, pois os transtornos causados e os gastos com reparos são altíssimos o que na construção civil atual, em que se preza a economia com qualidade, é totalmente inaceitável.
É necessário que as empresas construtoras adotem sistemas de monitoramento e controle de qualidade mais eficazes, com um acompanhamento da execução mais íntimo dentro do canteiro de obra, para que se sigam à risca as normas e técnicas para este tipo de construção. Realizar constante controle tecnológico quanto às argamassas de assentamento e teste de carga sobre as paredes levantadas para que se garanta a eficácia da técnica construtiva.
Atesta-se que é viável a utilização da alvenaria estrutural como método construtivo desde que sejam seguidas todas as exigências das normas técnicas e se tomem as providências citadas neste trabalho garantindo assim a boa qualidade da execução.
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6136: Bloco vazado de concreto simples para alvenaria estrutural – Especificação. Rio de Janeiro, 1994.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6461: Bloco cerâmico para alvenaria - Verificação da resistência à compressão - Preparo e ensaio à compressão. Rio de Janeiro, 1993.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7171: Bloco cerâmico para alvenaria - Especificação. Rio de Janeiro, 1992.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8798: Execução e controle de obras em alvenaria estrutural de blocos vazados – Procedimento. Rio de Janeiro, 1985.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15270-2: Componentes Cerâmicos 2 : Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural – Terminologia e requisitos - Rio de Janeiro, 2005.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15270-3: Componentes Cerâmicos 3 : Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural e de vedação – Métodos de ensaio - Rio de Janeiro, 2005.
BAUER, Roberto José Falcão. Patologias em alvenaria estrutural de blocos de vazados de concreto. Revista Prima - Caderno Técnico de Alvenaria Estrutural, São Paulo – 13ª Edição, 2007.
BEGOT de Azevedo, Anderson. Caracterização das patologias em alvenaria estrutural de Blocos de concreto. 2009. 53f. Monografia (Especialização em Construção Civil – Planejamento e Controle) – Universidade da Amazônia, 2009.
FRANCO, Luis Sergio. Alvenaria Estrutural – Conceitos Básicos. Escola Politécnica da USP, 2008. Disponível em: <http://pcc2515.pcc.usp.br/aulas/AULA%201%20%20PCC%202515%20%20Conceit os%20Basicos.pdf>. Acesso em 09 Ago. 2009
MATTOS Cano, Rafael. Patologias em Alvenaria Estrutural. 2005. 29f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Civil) – Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, 2005.
RAMALHO, Marcio A.; CORRÊA, Márcio R.S. Projeto de edifícios de alvenaria estrutural. São Paulo: Pini, 2003
SABBATINI, Fernando Henrique. Alvenaria Estrutural. Materiais, execução e controle Tecnológico, Brasilia, 2003.
THOMAZ, Ercio. Trincas em Edifícios: causas, prevenção e recuperação. São Paulo: Pini: Escola Politécnica da Universidade de – Instituto de Pesquisas Tecnológicas, 1989.
Glossário
Alvenaria estrutural – Tipo de alvenaria que dispensa o uso de elementos estruturais, como vigas e pilares, onde os próprios tijolos suportam a carga da estrutura.
Anomalias - O que se desvia da norma. Irregularidade. Deformidade.
Bloco estrutural de vedação – É o tijolo propriamente dito
Eflorescência – Aparecimento de machas esbranquiçadas na alvenaria decorrente de depósitos salinos de metais alcalinos e alcalinos terrosos na superfície das alvenarias provenientes da migração de sais solúveis dos materiais e dos componentes da alvenaria.
Higroscopia - É a propriedade que possuem certos materiais de absorver água. Patologias – É a parte da engenharia que estuda as anomalias das edificações
Radier – Tipo de fundação rasa que consiste em uma placa de concreto armado colocado sobre o solo como uma laje de piso.