A GESTÃO FAZ PARTE DA TÉCNICA


Sou do tempo que o bom profissional de segurança era aquele que atuava como se fosse uma babá dos trabalhadores.

Por toda parte ainda hoje ouvimos histórias de colegas que atuavam – e alguns ainda atuam – escondidos atrás das colunas do prédio tentando surpreender os demais trabalhadores deixando de usar o EPI ou cometendo alguma falha para pode então emitir uma relatório – isso em alguns casos após apitar como se fosse um juiz de futebol que acabou de flagrar uma falta.

 E isso tudo até parecia normal – porque era desta forma que nos ensinavam, era este o modelo da prevenção sempre levando em conta que se o trabalhador era o culpado de todos os males, tomando conta dos trabalhadores, todos os males seriam evitados.

Para muitos pode parecer que isso seja coisa do passado – infelizmente a realidade mostra que ainda temos muito disso em nossa área. Pior e que esta situação causa boa parte dos problemas que hoje temos, porque a atuação desta fora além de expor o profissional não assegura qualquer mudança na visão da prevenção por parte dos demais envolvidos.

 Além disso, este tipo de trabalho quando feito de forma isolada e sem ser parte de um programa mais amplo acaba desvalorizando o próprio profissional que acaba sendo visto como um “tomador de conta” ao invés de alguém capaz de planejar, executar e gerenciar informações.

Para ser bem simples – ninguém precisa ter formação técnica para apenas apontar algo que esteja errado. Espera-se que um profissional tenha conhecimento e melhor ainda bagagem para saber propor o que precisa ser feito para que o erro seja corrigido e definir meios para que ele seja evitado ou prevenido dali em diante. Para um leigo uma falha nada mais é do que um erro, para um profissional especializado uma falha e uma oportunidade de estabelecer ou melhorar alguma forma de controle.
Para ser ainda muito simples, conhecer e saber ler uma norma não quer dizer capacidade técnica. Para que ter uma atuação técnica e preciso interpretar a norma e mais do que isso ter a capacidade de transformar os itens da norma que se aplicam em práticas de gerenciamento – de tal forma que seja possível aos demais setores e trabalhadores cumprir a norma através dos programas, procedimentos e outras praticas definidas pelo especialista no assunto.

Se antigamente a inspeção de segurança era o ponto forte e que tomava quase todo o tempo do profissional da prevenção – hoje ela é uma parte da atuação que deve servir para retroalimentar um sistema – seja de que complexidade for – para o assunto. Mais ainda, os resultados das inspeções não devem servir apenas para indicar erros e pessoas, mas devem contribuir como dados para alimentar um diagnostico constante da evolução do trabalho que vem sendo feito. Qualquer trabalho da área de prevenção deve ter suas bases e ser feito a partir delas. Hoje, o profissional deve definir como deve ser feito, treinar pessoas para que façam e verificar o grau de cumprimento.

Um outro entendimento que precisa ser revisto diz respeito ao ponto de envolvimento do profissional nos problemas. Antigamente o simples apontar o problema parecia ser suficiente, hoje é preciso analisar onde há falhas dentro do sistema para determinado assunto e agir em todos segmento visando assim a buscar de soluções mais duradouras e menos pontuais. Ou seja, a visão deve ser mais ampla, buscar o caminho entre o problema e o ponto onde ele efetivamente é gerado, atuar de forma construtiva e definitiva.

Hoje, vemos muitos de nossos colegas assumindo como gestores mas não atuando como tal – isso porque não tem ainda a visão mais ampla. Para ser um bom gestor talvez seja preciso percorrer um pouco de cada etapa da historia da nossa profissão, ser um pouco de inspetor – atuando na identificação dos problemas, ser também um pouco de supervisor – tendo a super visão – a visão mais ampla dos problemas, suas causas e soluções e ser bastante técnico – atuando de forma inteligente e aplicando conhecimento na solução dos problemas.

Parece difícil, mas não é. Com certeza e a sobrevivência.


Fonte: Cosmo Palasio de Moraes Junior